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Leitura inspirou Levi Moroz a ser advogado e nem sequelas de um AVC impediram a construção do sonho

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Superação: essa é a palavra que define toda a história de vida do decano Levi Moroz e até hoje o acompanha. Devido a complicações no nascimento, ainda com poucas horas de vida, ele sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e teve de conviver para sempre com sequelas deixadas pela doença, passou por uma infância de muitas adaptações e, não bastando isso, meses atrás, contraiu a Covid-19. Foram duas situações vencidas e serviram para demonstrar que este Advogado, também graduado em Teologia, ainda tem uma grande missão neste plano espiritual. 

Levi Moroz nasceu em Curitiba, capital do Paraná, no dia 19/11/1954. Segundo ele, a gestação de sua mãe Dircezilda Moroz foi tranquila, mas o momento do parto anunciou dias difíceis tanto para ele quanto para ela. “A infância não foi fácil. Comecei a falar aos 7 anos e a andar aos 10. Tive um derrame logo depois de nascer, devido a erros no parto que também provocaram uma série de doenças na minha mãe. Ela faleceu quando eu era adolescente, aos 46 anos”, lamenta.

O AVC deixou grandes marcas em Levi. Ele ficou com dificuldades na fala e no caminhar. No entanto, essas “cicatrizes” não foram obstáculos para almejar sucesso na vida. A paixão pela advocacia surgiu a partir de livros que uma tia  usava para estudar. “Uma irmã do meu pai é advogada e sempre deixava livros em casa. Como não tinha nada para fazer, lia. A maioria sobre Direito Penal. A partir daí tive a vontade de seguir carreira no Direito e nunca me vi fazendo qualquer outra coisa. Essa é a melhor profissão que pode existir. A advocacia representa a minha própria vida”, celebra.

Levi Moroz também destaca que o amor pelo Direito é de berço. O pai Afanasie Moroz sempre quis pertencer a classe, mas a nacionalidade o impediu.  “Ele era russo, tinha o sonho de ser advogado, chegou a passar em primeiro lugar em uma faculdade de Curitiba, mas não pode estudar por não ser brasileiro. Existiam exigências que deveriam ser cumpridas e não foram possíveis”, frisa. Afanasie Moroz faleceu em 2010, aos 88 anos, por causas naturais.

Mudança para o Mato Grosso do Sul 

Ainda na adolescência, meses após a morte da mãe, acompanhando um tio, o decano sai de Curitiba e se muda para Dourados. Foi nesta cidade sul-mato-grossense que ele teve a oportunidade de estudar e realizar o grande sonho de ser advogado. A carteira de número 3.300 lhe foi entregue pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), no dia 9 de maio de 1984. 

O decano orgulha-se ao lembrar que trabalhou muito para pagar os estudos. Ele era vendedor de carros em uma concessionária e com muito esforço, em busca dos seus objetivos, conciliava o trabalho com a faculdade. Após formado, abriu um escritório e os primeiros clientes foram por indicações. Durante o período que trabalhou na concessionária, Levi adquiriu grande respeito e admiração de todos, isso refletiu também para um bom início na advocacia. “Trabalhei na área cível, mas 80% de toda a minha experiência como advogado foi na área criminal”, destaca.

Além da carreira promissora, Mato Grosso do Sul proporcionou também a Levi Moroz êxito na vida pessoal. Afinal, foram nessas terras que ele conheceu a esposa Maria Aparecida Leite Moroz. Com quem hoje celebra 35 anos de casado. Ao lado dela, enfrentou mais uma superação: de não poderem ter filhos. 

“Ela não conseguia engravidar e decidimos adotar um casal. Para nós essa atitude foi uma realização. Hoje temos uma grande família. A minha filha Lyvia Leite Moroz foi a primeira a me dar um neto, o Kauã Levy Moroz Bonnes que hoje tem 12 anos e ambos moram comigo e a minha esposa. O meu filho Lucas Jair Leite Moroz é casado com a Nathasa Leal  e tiveram gêmeos, o Pietro Dezembrino Aparecido Leal Moroz e o Lorenzo Florisvaldo Aparecido Leal Moroz. Em abril eles completam 3 anos”, conta. 

Mudança para Mato Grosso

Atualmente Levi e a esposa moram em Campo Verde, capital mundial do algodão, no interior do Mato Grosso. Eles se mudaram para lá em 1.999 com proposta de trabalho, para atuar em uma causa cível de um empresário rural, a qual obteve vitória. Na cidade, chegou até a exercer função no poder legislativo, sendo vereador entre os anos de 2004 a 2008. 

Ao fim deste mandato, com objetivo de embasar conhecimento religioso, ele se graduou em Teologia. ”Sempre fui um estudioso da bíblia, sempre pesquisei e fiz comparativo da bíblia com a história. Vi muita coisa coerente e continuo pesquisando. Procuro estudar filosofia das religiões”, afirma. 

Fatos marcantes 

O decano se recorda de dois fatos que ficaram marcados em sua memória como emblemáticos. Em um deles, um réu o surpreendeu dizendo que gostaria de ficar na prisão. “Era um militar. Tinha trabalhado muito em sua legítima defesa e no dia do júri me disse que gostaria de ser condenado, reconheceu a culpa. Advoguei em uma tese de lesão corporal seguida de morte e ele foi condenado a uma pena mínima”, explica citando que na época o réu havia assassinado um colega de farda dentro do Hotel de Trânsito do Exército, na Capital.

Outra defesa que ele compartilha se refere a um júri na cidade de Cuiabá. “Quando olhei para o réu, ele estava tão nervoso, que parecia que ia morrer naquele instante. Pedi ao juiz a suspensão atestando que não havia condição de dar continuidade ao julgamento. Fui atendido e dias depois, antes de uma nova data para o julgamento, ele faleceu de infarto fulminante em via pública”. 

Àqueles que recém ingressam na profissão, Levi Moroz aconselha que devem sempre estudar. “Cada advogado tem que ter o preparo suficiente para atender bem a clientela. Deus na sua infinita bondade e poder antes de criar o homem criou o Direito, que é a maior ciência que pode existir no universo. Não vejam o Direito apenas como uma matéria, mas um objetivo de vida”, pondera.

‘Compartilhando Conhecimentos’

Levi Moroz foi um dos entrevistados do Projeto ‘Compartilhando Conhecimentos’, desenvolvido pela OAB/MS em 2020, com o objetivo de contar um pouco da carreira de advogados e advogadas decanos e valorizar esses profissionais que fazem parte da história de nosso Estado.

A equipe de imprensa já contou histórias de Marline Kalache, Salim Moises Sayar, Dinalva Garcia,Rosely Coelho Scandola, Ana Abdo, Alci Araújo, João Glauco Arrais, Aparecidos dos Passos, Belmira Vilhanueva, Osvaldo Feitosa de Lima,Vicente Sarubbi, Jorge Gai , Natalina Luiz de Lima, Ademar Mariani, Milton Melgaref da Costa, Silvia Bontempo, Eduardo Coelho Leal, Juracy Alves Santana, MárioPeron, Felix Balaniuc, Margarida Aidar e Margarida Cavalheiro.

Texto: Laura Holsback / Fotos: Gerson Walber