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Presidente da OAB/MS faz abertura da 15ª Conferência Estadual da Advocacia

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   “O ano de 2020 vai passar. Mas suas lições vão ficar”.

A pandemia mudou os rumos de todo o mundo. A 15ª Conferência Estadual da Advocacia de Mato Grosso do Sul, que começou na noite de quarta-feira (4), não foi diferente. Na abertura de um dos maiores eventos jurídicos do Estado, o Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), Mansour Karmouche lamentou as milhares de vidas perdidas e destacou a capacidade de aprendizado da sociedade.

A solenidade de abertura contou com a participação do Vice-Presidente da OAB Nacional Luiz Viana Queiroz; Diretor-Tesoureiro da OAB Nacional José Augusto Araújo de Noronha; Secretário-Geral Adjunto da OAB Nacional Ary Raghiant Neto; Vice-Presidente da OAB/MS Walfrido de Azambuja Júnior, Secretária-Geral Adjunta Eclair Nantes; Diretor-Tesoureiro Marco Rocha, Conselheiros Federais Luís Claudio Alves Pereira (Bito); Afeife Mohamad Hajj, Luiz Renê Gonçalves do Amaral; Vinicius Carneiro Monteiro Paiva e Wander Medeiros Arena da Costa; Presidente da CAAMS José Armando Amado e Diretor da ESA/MS Ricardo Pereira.

Participaram também o Vice-Presidente do TJMS, Eduardo Contar, Presidente eleito para gestão 2021/22; Vice-Presidente e Vice-Corregedor do TRT24 Des. Amaury Rodrigues Pinto Junior; Procurador-Geral de Justiça Alexandre Magno Benites de Lacerda; Diretor do Foro Federal Juiz Federal Ricardo Damasceno de Almeida; Defensor Público-Geral Fábio Rogério Rombi da Silva; Procuradora Geral do Estado de MS Fabiola Marquetti Sanches Rahim; Procurador-Geral de Campo Grande Alexandre Ávalo; Bruno Paraná representando o Tribunal de Contas de MS e o Delegado Regional de Investigação e Combate Organizado da Polícia Federal Leonardo Nogueira Rafaini.

Em seu discurso de boas-vindas, Mansour frisou o momento que vivemos e a capacidade de enfrentar crises. “É provável que 2020 fique marcado como o ano em que a humanidade fez uma profunda inflexão involuntária nos seus rumos, dando início a uma nova era. As milhares de perdas de vidas humanas ficarão em nossa memória para sempre como um registro inelutável de que podemos ser vítimas do invisível e do imprevisível. Esse ano nos colocou à prova, testando nossa resiliência e capacidade de enfrentar crises sucessivas. Acredito que sairemos mais fortes e com o espírito renovado desse processo”, discursou Mansour.

Ele destacou que a Conferência, neste ano virtual, traduz o sentimento e a preocupação da classe nesse ano difícil. “É hora de trocar ideias, de imantar com diálogo sincero nossas experiências. Só assim podemos nos preparar e crescer”, complementando que o evento servirá para “estabelecer uma linha técnico-jurídica que possa orientar o dia a dia profissional”.

O Presidente da OAB/MS lembrou da importância da advocacia nesse período de pandemia e da luta pela valorização dos interesses coletivos. “Nossa luta permanece sendo essencialmente a mesma que nos deu origem: a luta contra o arbítrio e a vilania cometida por aqueles que confundem Poder com mandonismo, misturam a administração dos interesses públicos e privados. Nossa luta é contrária àqueles que imaginam que nossa sociedade é uma manada dócil, destituída de capacidade crítica e que pode ser manipulada pela raiva polarizada”.

Mansour finalizou agradecendo a presença do ex-ministro, ex-juiz e atualmente advogado Sérgio Moro, que aceitou prontamente o convite para a palestra sobre “Lavagem de Dinheiro” e concluiu reafirmando a posição da OAB “atenta, vigilante e ativa, lutando mais do que nunca pela pacificação do país, sem descurar das lutas contra a violência, contra o crime organizado e pela superação da desigualdade social”.

O Secretário-Geral Adjunto Ary Raghiant Neto falou em nome da OAB Nacional. “O Conselho Federal se faz presente para reafirmar compromissos históricos de nossa entidade, fortalecimento do estado democrático de direito e das instituições, respeito às leis, em especial os princípios que estão na Constituição da República, a separação e a independência dos Poderes e o combate intransigente à corrupção”.

O Conselheiro Federal Luís Claudio Alves Pereira lembrou que vivemos dias difíceis e de intolerância. “Essa é uma data tão importante em que reafirmamos o compromisso com o futuro. Um futuro de luta pelo estado democrático de direito, de respeito as garantias individuais. Um futuro de respeito ao cidadão. Um futuro que busca a conciliação das instituições para que esse país caminhe e progrida. Compromisso sempre perene da OAB”.

O Presidente da CAAMS José Armando Amado citou que mesmo virtual, “a Conferência Estadual da Advocacia de Mato Grosso do Sul não deixará de ter o brilho que merece. Grandes esforços foram empenhados para que este seja um inesquecível evento, de muito conhecimento e aprendizado. Este foi um ano de muitas dificuldades para todos nós. Mesmo assim, procurando driblar essas questões financeiras, a nossa Caixa de Assistência não deixou de envidar esforços em prol dos nossos profissionais”.

Ele citou as obras realizados pela CAAMS em plena pandemia da Covid-19, a Campanha de Vacinação contra a gripe H1n1 e o Projeto Legalmente, que visa identificar o perfil da saúde mental do profissional e diagnosticar as principais demandas e impactos da Covid-19 causados à classe.

O Procurador-Geral de Justiça Alexandre Magno Benites de Lacerda parabenizou a organização do evento, citando: “a programação extraordinária, que engrandece a advocacia sul-mato-grossense. Tenho muito orgulho de ser advogado. Esse momento exige um congresso virtual que abre oportunidade de ampliar a quantidade de participantes, expandindo os horizontes e levando a um debate mais democrático”.

Na ocasião, o Instrumentista Marcelo Loureiro tocou o Hino Nacional Brasileiro e o Hino do Estado de Mato Grosso do Sul.

Mansour Karmouche presidiu o 1° painel da Conferência. Sérgio Moro foi o palestrante da mesa sobre Lavagem de Dinheiro que teve participação dos debatedores Presidente da Comissão de Advogados Criminalistas Tiago Bunning e a Advogada Criminalista Andrea Flores.

Moro citou que o momento que o país vive é uma oportunidade para “o advogado se posicionar e construir algo positivo no sentindo de enfrentamento da corrupção e da lavagem de dinheiro. Um novo comum, um novo cenário, em que as entidades privadas são chamadas a contribuir com a sua parcela de responsabilidade para evitar o crime nos negócios”.

Ele concluiu: “Eu sempre acreditei, em particular, que essas ações corruptivas de lavagem de dinheiro podem até trazer um ganho momentâneo no curto prazo a alguma entidade, mas a médio e longo prazo só traz prejuízo e a todo o mercado. Temos que diminuir todos esses delitos para ter uma economia com mais índice de produtividade”.

 

Texto: Catarine Sturza / Fotos: Miguel Palácios