Em reunião na cidade Ponta Porã nesta quarta-feira (15), representantes do Governo Federal solicitaram que a Polícia Federal faça buscas em Mato Grosso do Sul, na região onde presos políticos do Paraguai teriam sido enterrados, na década de 60. O pedido para que o governo brasileiro procurasse os corpos foi recebido pela Embaixada Brasileira em agosto de 2011.
No mês de dezembro a OAB/MS foi procurada para dar apoio. A Ordem, através do vice-presidente, Júlio César Souza Rodrigues, interveio pedindo agilidade no pedido. “Ficamos felizes por mais este caso em que a OAB conseguiu intermediar e ter uma resposta o mais rápido possível”, afirma Rodrigues.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República enviou dois representantes a Mato Grosso do Sul, o coordenador Geral da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Gilles Gomes e o assessor da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Cleber Kenper.
Pela OAB/MS, além do vice-presidente, também participaram da reunião a presidente da 5ª subseção, Nina Negri Schneider, o vice-presidente, Pedro de Souza Lima e o representante da Comissão de Direitos Humanos, Maurico Dornelles Cândia.
Edgard Bazzano, ativista dos direitos humanos no Paraguai acompanhou as negociações. Foi ele quem buscou ajuda da OAB/MS em dezembro do ano passado a pedido do governador do 13º departamento Del Amambay, Juan Bartolomé Ramires.
Através do trabalho da Polícia Pederal, as autoridades paraguaias querem encontrar os corpos de sete presos políticos que, segundo testemunhas, foram mortos na década de 1960 e enterrados em uma fazenda do município de Paranhos, distante 477 quilômetros de Campo Grande.
O processo criminal de número 019.61.000028-2 foi desarquivado há três anos para investigar as mortes tramita na comarca de Ponta Porã/MS. “Eles faziam parte do movimento chamado de 14 de maio, contra a ditadura de Stroessner. Atravessaram a fronteira e a pedido da ditadura paraguaia foram presos em uma fazenda de Paranhos. Era noite de natal quando um caminhão chegou dizendo que os levaria até Ponta Porã, mas na estrada sete foram executados e dois conseguiram fugir, um deles de sobrenome Gimenez”, conta Duprat.
Segundo o defensor dos direitos humanos, a história da execução tornou-se pública na região “tinha até uma cruz no local onde eles morreram, agora sumiu. O motorista do caminhão que transportou as vítimas está vivo, o sobrenome dele é Portilho e mora em Amambai, no Mato Grosso do Sul. Pessoas que enterraram os corpos também moram na região, servem como testemunhas, um deles de sobrenome Meza. Temos todas as informações, mas dependemos das autoridades brasileiras para resolver a questão”, finaliza Duprat.