Celebrando a importância do esporte para a cultura e tradição dos povos indígenas, a V Semana do Índio da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), teve seu encerramento neste sábado (26) com uma partida de futebol indígena. O evento que é organizado anualmente pela Comissão Permanente de Assuntos Indígenas (Copai) teve palestras, feira de artesanato, culinária e danças indígenas.
A partida de futebol, sediada na quadra de areia do Parque das Nações Indígenas, contou com jogadores indígenas de aldeias urbanas de Campo Grande. “É uma celebração dos povos e sua cultura”, explica a presidente da Copai, Samia Roges Jordy Barbieri, ao destacar que os povos indígenas não buscam a competição, mas sim promover a integração e resgatar a tradição. Na oportunidade, os jogadores receberam uma medalha de participação na partida de futebol e na Semana do Índio.
A prática do esporte pelos povos indígenas motivou dois índios sul-mato-grossenses a fundarem os Jogos Indígenas. Carlos Terena e Marcos Terena contaram o percurso para a execução dos Jogos no segundo dia da Semana do Índio, nesta sexta-feira (26). “Sempre pratiquei esportes e acreditei que poderia reunir os povos para celebrar a cultura. Foram 16 anos de dificuldades até que consegui apoio do Ministério dos Esportes para realizar os primeiros jogos em 1996”, explicou Carlos Terena.
Atualmente, a dupla está organizando os Jogos Indígenas Mundiais, que deverão ser realizados em Palmas (TO) no mês de julho de 2015. “Já temos 36 países interessados em participar, o que deve reunir cerca de 2 mil povos indígenas”, destacou Marcos Terena. Os Jogos Indígenas tem como mote “O importante não é ganhar, e sim, competir” e a proposta de ajudar no resgate da cultura dos povos indígenas.
Ainda no segundo dia de evento, a promotora Ana Lara de Castro proferiu palestra sobre violência à mulher indígena. Em sua apresentação, Ana Lara percorreu a História explicando como se deu a colonização e segregação, que criou esteriótipos e preconceitos. Para ilustrar, a promotou utilizou o caso do genocídio ocorrido na Guatemala, em que muitas mulheres sofreram violência de várias formas. Com relação às mulheres indígenas de MS, de acordo com ela, são inúmeros os fatores que podem provocar o ato, dentre eles, a desestruturação social, a sufocação das crenças tribais, a introdução do álcool e o aumento da participação das mulheres nas atividades. “É necessário que a Lei Maria da Penha seja absorvida nas diversas comunidades. A mulher indígena precisa ter amplo acesso no atendimento em caso de violência doméstica”, afirmou.
A V Semana do Índio da COPAI teve início na quinta-feira (25) com a palestra sobre a história da população indígena, ministrada pelo professor Antonio Dani Ramos. Tendo como tema a importância do esporte para a manutenção da cultura dos povos indígenas, o evento contou ainda com feira de artesanatos, danças indígenas, comidas típicas e a exibição do filme Xingu, feita no encerramento da Semana.
