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Milton Melgaref da Costa: “Ser advogado é muitas vezes ser também psicólogo, médico e confessor”

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Passando em frente ao Fórum de Campo Grande, quando ainda era na Rua 26 de Agosto, Milton Melgaref da Costa não sabia, mas aquele dia ia mudar sua vida. Filho de família humilde, de Terenos, ele sonhava em ser dentista até que uma sessão do tribunal do júri despertou a paixão pela advocacia.

“Curioso, entrei quando a defesa     do réu estava usando a tribuna. Em defesa do réu falava o saudoso Dr. Nelson Trad. Confesso que fiquei impressionado com a eloquência de seu discurso e a oratória daquele advogado, aí pensei: vou ser advogado”.

Em 1978, Milton entrou na faculdade de direito, à época na FUCMAT (Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso). “Para frequentar o curso de direito tive muita dificuldade porque ganhava pouco, trabalhava durante o dia e estudava à noite”. Ele dividia a faculdade com o cargo de cobrador de loja de móveis.

No 9º semestre de Direito, ele prestei concurso do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para o cargo de Escrivão Judicial da recém-criada Comarca de Bandeirantes. Foi aprovado e em 21 de junho de 1982 se mudou para a cidade que, na época, tinha apenas 18 anos. “Trabalhávamos com máquinas de datilografia, não tinha fotocopiadora (xerox), as peças eram todas datilografadas e não podia conter erros ou borrões. As sessões do júri eram feitas no salão paroquial da Igreja Católica”.

Na época, a Comarca de Bandeirantes era composta por cinco municípios: Bandeirantes, Jaraguari, Rochedo, Corguinho e São Gabriel do Oeste e quatro distritos: Baianópolis, Bom Fim, Areado e Ponte Vermelha. “Dessas localidades tudo convergia para a sede da comarca, o que acarretava um volume muito grande de serviço para os serventuários da justiça”, contou.

Com a criação e instalação da Comarca de São Gabriel do Oeste, ele imediatamente pediu a remoção e em 25 de março de 1987 assumiu o Cartório da única Vara, onde ficou até a aposentadoria.

Em 2005, ele pegou a carteira da OAB/MS 10.711. “Como serventuário da justiça sempre primei pela ética profissional, honestidade, lealdade, responsabilidade, respeito ao jurisdicionado e principalmente humildade. Como advogado, eu continuo seguindo os mesmos princípios, pois, para se ter sucesso em qualquer profissão tem que agir com ética, honestidade e principalmente com humildade”, frisou

“Ser advogado é muitas vezes ser também psicólogo, médico e confessor”

Para Doutor Milton, a advocacia é uma das profissões mais nobres. “O advogado está sempre em defesa dos direitos dos cidadãos. Entretanto, deverá estar sempre atualizando seu conhecimento, pois, as leis mudam constantemente. O exercício da advocacia exige do profissional do direito muito estudo, pesquisas, aquisição de bons livros senão, certamente ficará fora do mercado”, comentou.

Ele explicou que, por vezes, “o cliente chega ao escritório achando que o mundo vai acabar para ele quando, em verdade, com uma conversa franca e honesta do seu advogado tudo se resolve”.

Aos 71 anos, Doutor Milton, pai de dois filhos (Fernando e Flávia), continua na advocacia em São Gabriel do Oeste. Foi um dos entrevistados pela equipe de imprensa da OAB/MS para o Projeto “Compartilhando Conhecimentos”, que tem como objetivo incluir os advogados e advogadas decanos nas atividades da advocacia e valorizar aqueles que fizeram a história de nosso Estado.

 

Texto: Catarine Sturza / Fotos: Arquivo Pessoal