O evento “Meio Ambiente Contemporâneo: Urbano e Rural”, realizado pela Comissão do Meio Ambiente (Comam) da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS) e a Escola Superior de Advocacia (ESA/MS), foi encerrado nesta quinta-feira (5) com uma mesa redonda sobre o cenário ambiental nacional e estadual.
De acordo com a bióloga Emiko Kawakami de Resende, que é chefe geral da Embrapa Pantanal, o Brasil passou por grandes transformações e hoje vive uma realidade de produção em massa e exportação para outros países. “A tendência é otimizar. Precisamos produzir mais com menos espaço. Nosso Estado é voltado para o agronegócio e o produtor tem que se atualizar e olhar não somente para o mercado local, mas o mundial”. Emiko comenta que o caminho para o futuro é investir em pesquisa, conhecimento e educação.
Durante o debate, o secretário da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Ruy Facchini Filho destacou que o setor produtivo evoluiu em relação às questões ambientais. “Com o novo Código Florestal temos áreas que já estão sendo recuperadas. Conseguimos integrar a pecuária com a agricultura e isso é um manejo muito importante, que proporciona a recuperação dessas áreas degradadas”, disse.
Segundo Facchini, até pouco tempo, o País carregava a culpa como uma dos maiores desmatadores de florestas do mundo. No entanto, um estudo do território nacional mostra que a realidade é outra e que 61% do território brasileiro é totalmente preservado com florestas e campos nativos e apenas 27% é destinado para a produção e 11 para áreas urbanas. “O urbano existe porque o rural produz. Estamos bem, comparado a outros países. A Europa tem menos de 1% de reserva e Estados Unidos menos de 20%”, acrescentou.
De acordo com a presidente da Comam, Helena Clara Kaplan, apesar dos desenvolvimentos ainda é preciso reeducar a população e trabalhar a questão socioambiental para a rotatividade da cultura. “A sociedade urbana depende da população rural. É uma via de mão dupla. Contudo, não podemos terceirizar as responsabilidades, e sim planejar e cobrar as ações de sustentabilidade na prática”. A comissão da OAB/MS integra atualmente 17 colegiados, que participam de tomadas de decisões ambientais estaduais. Também participou da mesa redonda o Superintendente de Ciência e Tecnologia/Sucitec – Fundect, Felipe Augusto Dias, advogados e os membros da Comam.
O evento em comemoração ao Meio Ambiente iniciou na terça-feira (3) com minicursos à tarde sobre áreas verdes, educação ambiental, licenciamento ambiental, perímetro urbano e saneamento. À noite foram realizados vários painéis sobre questões ambientais e em seguida debates entre os palestrantes e o público.
Nessa quinta à tarde, advogados e acadêmicos debateram o tema “Dilemas do Licenciamento e Monitoramento Ambiental”, que inclui Cadastro Ambiental Rural, Licenciamento ambiental e a Emblemática do Licenciamento Isolado e Aproveitamentos hidroenergéticos.
