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I Ciclo de palestras sobre Depressão e Suicídio lota auditório da OAB/MS

“A cada três segundos uma pessoa tenta o suicídio em algum lugar do planeta”, disse o médico psiquiatra Marcos Estevão dos Santos Moura, ao citar o autoextermínio como problema de saúde pública. O tema foi abordado por diversos profissionais na primeira edição do Ciclo de Palestras: Depressão e Suicídio que lotou o auditório da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul na última quarta-feira (23).

Segundo o psiquiatra, vários fatores podem levar a pessoa a tirar a própria vida. “É difícil definir todos os fatores, mas a pressão social, a culpa, a vergonha, doenças mentais, ausência de religião e dependência química são elementos que podem desencadear a depressão”, esclareceu.

A psicóloga Giovana Guzzo explicou que a pessoa com depressão pode variar entre dois polos: a tristeza profunda e a euforia. “A depressão pode passar por alguns dias e o indivíduo com tristeza profunda acredita falsamente que está curado, mas a tendência é que a apatia retorne, assim, o ideal é buscar ajuda de profissionais. Não é só uma conversa, temos métodos para bloquear a tristeza”.

Giovana descreveu que a depressão causa mudanças de comportamento, como perda de sono, sentimento de inutilidade, desespero e automutilação, levando o indivíduo ao suicídio. “Muitas vezes a pessoa que tem depressão enfrenta ainda o tabu da sociedade que costuma rotular a doença como frescura. Ao se deparar com alguém que julga ter a doença, a melhor tática é pedir para a pessoa procurar um profissional especializado”, descreveu.

O grupo de risco para desenvolver a depressão, de acordo com pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), é de jovens entre 15 e 29 anos, mulheres em pós-parto e pessoas com mais de 60 anos. “Os jovens tentam se encaixar no estilo de vida que a sociedade espera ou até mesmo nos sonhos dos pais que desejam que o filho faça aquela faculdade específica, reprimindo seus desejos. Para os aposentados, a falta de perspectivas e sonhos para o futuro podem trazer angústia e o desenvolvimento de depressão, levando alguns ao extremo do suicídio”, analisou Giovana.

Para aqueles que perderam parentes por meio do suicídio, a dor é ainda mais intensa, garante a jornalista e psicóloga Cláudia Malfatti. “Há um preconceito contra quem se suicida. O indivíduo é visto como fraco e a família tende a se isolar, levando consigo culpa, raiva, vergonha e rompimento do vínculo afetivo. Esta dor precisa ser vivida e compartilhada com especialistas”, explicou Cláudia.

Em casos extremos de pessoas que estão no ato de cometer o suicídio, o Tenente Coronel da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Wagner Ferreira da Silva descreveu como é a atuação dos profissionais para o gerenciamento de crise. “Utilizamos o modelo americano que foi encaixado para a realidade brasileira. Há um protocolo específico de preparação, conversa com o indivíduo e técnicas de empatia. São pessoas tecnicamente habilitadas a atuar naquele momento. A presença do parente pode influenciar negativamente na negociação, por isso, isolamos o local e deixamos só os profissionais atuarem”, descreveu.

Números - Dados do Mapa da Violência 2014 apontam que Mato Grosso do Sul teve a segunda maior taxa de suicídios na população jovem do país. Outra estatística alarmante é sobre os casos de tentativa de suicídio. Para cada suicida, outras 20 tentaram se matar. No Brasil, o número de pessoas que cometeram suicídio perde apenas para homicídios e acidentes de trânsito entre as mortes por fatores externos (o que exclui doenças).

O Centro de Valorização da Vida (CVV) atua na prevenção do autoextermínio com a ajuda de voluntários. “Estes voluntários oferecem quatro horas semanais de sua rotina para atender ligações de indivíduos com quadro de depressão Recebemos 2.800 ligações por mês e mais de três mil deixam de ser atendidas por falta de pessoal”, afirmou Roberto Sinai, engenheiro e membro do CVV. Quem quiser ajudar, só ligar para o telefone 144 ou 3383-4112 ou 3383-4113.

O Presidente da Seccional Mansour Karmouche parabenizou os palestrantes e disse que um dos papeis da OAB/MS é discutir temas relevantes com a sociedade, entre eles a depressão. “A Ordem se coloca de portas abertas para receber profissionais e idealizadores para debater temas tão fundamentais para a sociedade. Sabemos que a depressão é a doença do século e esperamos que este evento traga benefícios para quem está passando por tristeza profunda ou aquele que tem um parente nesta situação”, afirmou. Participou também do evento o vice-presidente Gervásio Alves de Oliveira Júnior e a presidente da Comissão de Direitos Sociais, Grisiela Cristine Aguiar Coelho

 

 

 

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