Invadir um escritório de advocacia é o mesmo que violar o mais elementar dos direitos democráticos: o direito de defesa do cidadão contra a ação estatal. Com essa afirmação, o secretário-geral do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, condenou hoje (06) a invasão e prisão irregular de escritórios de advocacia dentro da Operação Curupira, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira (03) e que resultou na prisão de 74 pessoas. Na opinião de Cezar Britto, o Estado que não respeita o direito de defesa, vive em uma “pseudo-democracia”, mal disfarçada em gestos bem intencionados e aparências formais. “E não é para menos, pois, sem a limitação constitucional do direito de defesa, o Estado faz do arbítrio a sua maior arma, não raro descambando para a ilegalidade, chantagem e uso abusivo das informações obtidas”. O secretário-geral da OAB, entidade que vem repudiando a invasão sistemática a escritórios de advocacia em várias cidades brasileiras, lembrou que não há Estado Democrático de Direito sem o direito de defesa, assim como é impossível falar em defesa sem a garantia do sigilo e da confiança mútua entre o cidadão e o seu defensor (o advogado). “Com a prática da invasão de escritório de advocacia, o Estado quebra a democracia, violenta a igualdade e decreta a morte prematura do cidadão”. Cezar Britto afirmou, ainda, que quando o ataque do Estado conta com o apoio auxiliar do Ministério Público, o autoritarismo assume a sua forma mais cruel, pois consegue atrair para a sua fileira o órgão criado exatamente para controlar os seus arroubos. “É como se recebesse passe-livre para rasgar definitivamente a Constituição Federal”.