O Coletivo de Mulheres Negras “Raimunda Luzia de Brito” e Fórum Nacional de Mulheres Negras, em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul, e outras entidadades parceiras, realizaram hoje (31/03) pela manhã a abertura das manifestações sobre os 120 anos pós abolição da escravatura. A solenidade aconteceu no auditório da OAB-MS e contou com a participação de representantes de várias entidades, destacando-se o presidente da Ordem, Fábio Trad; a vice-presidente Kátia Maria Souza Cardoso; a presidente do Coletivo de Mulheres, Ana José Alves Lopes; o vice-presidente do Instituto Luther King, juiz aposentado Aleixo Paraguassu; a vereadora Thais Helena e outros.
Também são parceiros para as manifestações pós abolição, a Coordenadoria de Políticas para Promoção da Igualdade Racial, Fórum Permanente das Entidades Negras e Conselho Estadual do Negro.
De acordo com a coordenação, o objetivo é rememorar que, em toda a parte, a escravatura não é o problema do passado. “A solução definitiva para a abolição só acontecerá com a eliminação da miséria, com o direito à vida, à dignidade, à segurança, as justas e satisfatórias oportunidades de trabalho, à saúde, à igualdade e à propriedade”, destaca documento distribuído por ocasião do evento no auditório da OAB-MS.
São citadas entre as políticas necessárias para atender as expectativas da população negra, como de caráter urgentíssimo, o Estatuto da Igualdade Racial; colocar em prática a Lei 10.639, que inclui história e cultura africanas e dos afrodescendentes na grade curricular dos ensinos fundamental e médio das escolas em todo o País; e desenvolvimento do programa Brasil Quilombola.
Para os coordenadores das manifestações “o fim da escravatura não melhorou a condição social e econômica dos escravizados. Sem formação escolar, profissão definida, a simples emancipação jurídica não mudou a condição subalterna, muito menos ajuda a promover a cidadania ou ascenção social dos negros”.