Paraguaios pedem ajuda do Brasil na busca por corpos enterrados em MS

A pedido do governador do 13º departamento Del Amambay, Juan Bartolomé Ramires, um representante dos direitos humanos procurou a OAB/MS na manhã de hoje em busca de apoio para que as autoridades brasileiras ajudem a encontrar os corpos de sete presos políticos que, segundo testemunhas, foram mortos na década de 1960 e enterrados em uma fazenda do município de Paranhos, distante 477 quilômetros de Campo Grande.

“O pedido feito pelo Ministério das Relações Exteriores do Paraguai foi encaminhado à Secretaria de Direitos Humanos do governo brasileiro através da embaixada do Brasil em Assunção e até agora não fizeram nada”, disse Edgar Bazzano Duprat, ativista dos direitos humanos.

A Embaixada brasileira comunicou que recebeu o pedido em 10/8/2011 e respondeu dizendo que "o Departamento de Relações Internacionais e a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria estão em tratativas avançadas com peritos da Polícia Federal para definir o modus operandis das buscas de fossas de desaparecidos políticos paraguaios que estariam localizados na região de Paranhos/MS".

A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul, vai entrar em contato com o OAB nacional para pedir que o governo brasileiro tome medidas o mais rápido possível na busca dos corpos “Junto ao presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcante, vamos intermediar um diálogo com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República”, disse o vice-presidente do OAB/MS, Júlio César Souza Rodrigues.

O processo criminal de número 019.61.000028-2 foi desarquivado há três anos para investigar as mortes política tramita na comarca de Ponta Porã/MS. “Eles faziam parte do movimento chamado de 14 de maio, contra a ditadura de Stroessner. Atravessaram a fronteira e a pedido da ditadura paraguaia foram presos em uma fazenda de Paranhos. Era noite de natal quando um caminhão chegou dizendo que os levaria até Ponta Porã, mas na estrada sete foram executados e dois conseguíram fugir, um deles de sobrenome Gimenez”, contou Duprat.

Segundo o defensor dos direitos humanos a história da execução tornou-se pública na região “tinha até uma cruz no local onde eles morreram, agora sumiu. O motorista do caminhão que transportou as vítimas está vivo, o sobrenome dele é Portilho e mora em Amambai, no Mato Grosso do Sul. Pessoas que enterraram os corpos também moram na região, servem como testemunhas, um deles de sobrenome Meza. Temos todas as informações, mas dependemos das autoridades brasileiras para resolver a questão”, finalizou Duprat.

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