
Duas mulheres, colegas de profissão, resolveram abrir o próprio escritório. Após fazer o pedido, veio à notícia: Elas seriam o primeiro registro de escritório como Sociedade de “Advogadas e Associados” de Mato Grosso do Sul.
“Trabalhávamos como advogadas autônomas e decidimos abrir o escritório, de imediato pensamos nesse formato. Fomos a OAB/MS fazer o pedido e nos informaram que não havia, até então, registro de sociedade como ‘Advogadas’. Na época, havia conhecimento apenas de uma sociedade de “Advogadas e Associados” no Rio Grande do Sul. Quando recebemos o deferimento, ficamos muito felizes de saber que somos a primeira no Estado a ser registrada desse modo”, contou Vanessa Catanante Leal Vilela que hoje divide o escritório com Rita de Cássia Amadeu.
A Advogada Rita Amadeu explica que não é apenas um escritório “comandado” por mulheres, mas que tem um “olhar feminino para uma nova era”. Há mais de 10 anos na advocacia, Rita acredita que a advocacia evoluiu muito nos últimos anos e com bons olhos para um trabalho realizado por mulheres.
“Pensamos num ambiente que fosse acolhedor, onde as mulheres serão verdadeiramente ouvidas e compreendidas, sem julgamento. Um local espaçoso que não recebesse apenas mulheres, mas homens, todo mundo que precisa de atendimento, sem distinção. Trabalhamos hoje com diversos segmentos, mas com um setor que é o Direito Agrário, no qual existe uma demanda muito grande por profissionais, independente de gênero”, comentou.
Inspiração

“Nosso intuito maior é fortalecer nossa classe, gênero, essa luta pelo empoderamento feminino. Como estamos vivendo um momento em que as mulheres estão cada vez mais buscando espaço no mercado de trabalho, acredito que é uma inovação para nosso Estado. Buscamos assim quebrar paradigmas e estabelecer de vez na sociedade a consciência em relação aos direitos das mulheres”, salientou Vanessa.
Hoje são mais de 15 mil advogadas e advogados ativos em Mato Grosso do Sul, sendo 55% homens e 45% mulheres na advocacia. Número que logo será mudado. A estimativa é que até 2020, o número de advogadas mulheres seja superior ao de homens advogados, segundo registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
É o primeiro escritório de advocacia do Estado nesse formato. Em um mercado masculino, as advogadas são pioneiras na utilização de subtítulo “Advogadas Associadas”. O registro, de fato, já foi negado em alguns estados, como em São Paulo. A justificativa para o indeferimento na época foi que “o plural de advogado na língua portuguesa é advogados”.
Pode parecer bobagem a nomenclatura “Advogadas e Associados”, um detalhe para alguns, mas para Vanessa e Rita é motivo de orgulho. “A mulher de hoje luta por tantas coisas, por mais espaço na sociedade, por que não ter o nome ‘Advogadas’ no próprio escritório? Fazemos mil e uma coisas. Precisamos sair à frente, sair da zona de conforto e não ficar a sombra”, acrescentou Rita.
O Presidente da OAB/MS, Mansour Elias Karmouche, recebeu as advogadas nesta quarta-feira (03) e elogiou a iniciativa dizendo que “Mato Grosso do Sul sempre anda na vanguarda da advocacia brasileira. Esse reconhecimento mostra que a OAB/MS é um entidade pluralista, sem ideologia, sem partidarismo, desigualdade, mas sim um espaço que abraça e representa todos advogados e advogadas”.
Rita e Vanessa agradeceram a atual gestão pelo deferimento da OAB/MS no pedido. “Ter conseguido na gestão atual, presidida pelo Doutor Mansour, mostra que as mulheres estão sendo valorizadas”.
A Secretária-Geral Adjunta Eclair Nantes também elogiou o trabalho realizado pelas advogadas e convidou-as para participar ativamente das Comissões da OAB/MS. “Eu fico muito feliz de saber que temos um dos primeiros escritórios do país com subtítulo ‘Advogadas e Associados’ porque isso demonstra o quanto Mato Grosso do Sul está evoluindo nessa busca pela igualdade de gênero e representatividade num espaço que há anos atrás era majoritariamente masculino. Isso nos enche de esperanças, mostra que temos uma advocacia na vanguarda do país”.