Com este artigo terminamos nossa missão de tentar ajudar a resolver o “insolúvel” crime em que foram vitimas Murilo Alcalde e Eliane Ortiz. Infelizmente os investigadores demonstraram, nestas três ultimas semanas, que não tem a menor intenção de esclarecer o crime e continuarão no mesmo “batidão”, sempre na esperança de que algum dia os fatos acabem no esquecimento e finalmente parem de “encher o saco” com o mesmo assunto.
Nenhuma das sugestões apresentadas pela Brasil Verdade foram acatadas.
Para encerrar definitivamente nossa participação nesta pantomima pantaneira, a ultima de nossas colaborações se refere a principal testemunha do evento. A camareira! Aquela que viu tudo, que contou detalhes para a identificação dos primeiros suspeitos e que, posteriormente, estranhamente modificou a versão e “desmontou” a hipótese mais plausível de como se desenrolou o evento e quem participou dele.
Durante esta ultima semana resolvemos “assuntar” junto a alguns policiais que trabalharam nas investigações, logo no início, sobre o que realmente havia ocorrido. Tudo a fim de esclarecer quais os fatores que intervieram para a modificação de tão importante testemunho.
O que era de se esperar, confirmou-se: a diretoria da Polícia Civil da época procedeu de forma a facilitar o assédio à testemunha até que ela “capitulasse” e moldasse sua declaração de acordo com os interesses daqueles que tinham relação com o crime, estavam diretamente envolvidos com as mortes e tinham interesse em abafar o escândalo. Um misto de prevaricação, improbidade e co-autoria.
Inicialmente, para “enganar a torcida”, a camareira foi incluída num fictício Programa de Proteção a Testemunha. Ela e os filhos impúberes foram retirados de casa e passaram a ser tratados como bichos, jogados a própria sorte e sentindo-se desprotegidos. Durante o dia passavam o tempo sem nada para fazer na Academia de Polícia e à noite eram colocados em um corredor fétido no CEPOL (na R. Ceará), em um colchão de solteiro mais fétido ainda. Isso sem qualquer tipo de proteção.
Ela e as crianças ficavam ali durante toda a noite, muitas vezes sendo “visitadas” justamente por aqueles designados para convencê-la a mudar o depoimento.
Para favorecer a essa “persuasão” a comida, muito pouco para o numero de pessoas, às vezes era servida azeda, sempre aproveitada daquelas refeições que sobravam dos presos da Polinter ou da DEFURV. Alguns policiais, por conta própria e com pena da “testemunha protegida” contrabandeavam, de madrugada, comida as escondidas, sem a que a diretoria soubesse. Depois de algum tempo a camareira não agüentou e modificou o texto, acatando a vontade dos algozes que, para a sociedade se portavam como policiais mas na realidade eram bandidos travestidos.
Porem não são somente os policiais do alto escalão os interes sados em não resolver o caso. Muitas autoridades públicas ocupantes de cargos importantes na gerencia dos três poderes estaduais, com desvios de conduta, freqüentadores de lupanares, alguns gostando mais de mulheres da vida do que de suas próprias esposas e outros de garotos ao invés de garotas, não podem admitir a hipótese de que suas vidas paralelas sejam descortinadas.
É sabido que todos os envolvidos no crime, tanto os matadores quanto os facilitadores, estavam ligados a prostíbulos, cafetinização e prostituição, sendo conhecedores de todos aqueles que se utilizavam deste serviço não convencional. Para esclarecer o crime era preciso não mais proteger figuras importantes da sociedade e do poder público. Assim sendo, entre elucidar a morte de dois jovens e preservar os desvios sexuais de quem está vivo (e mandando) – a ultima proposição certamente foi vencedora.
O esclarecimento do “Caso Motel” está diretamente ligado ao desmoronamento de inúmeros lares “impolutos” que, ao tomarem conhecimento das volúpias de seus chefes certamente haverão de ser desfeitos.
Também se faz necessário sacrificar algumas carreiras já próximas à aposentadoria (ou reserva), mas que durante as duas ultimas décadas foram utilizadas para ofertar inúmeros favores a poderosos. Estes indivíduos, agora sob suspeitas, cobram sustentação e proteção e não admitem que venham a ser prejudicados pelo que chamam de “acidente de percurso”. O esclarecimento da morte de Murilo e Eliane não trará vantagens que venham a suplantar os riscos, dissabores e problemas causados com alguns detalhes que devem ser elucidados e que nada tem a ver com o crime.
Assim sendo, nada mais havendo a fazer enquanto os novos investigadores não estiverem comprometidos com seus misteres e mais, enquanto não forem esclarecidas as questões suscitadas nos artigos denominados como Solução 1, 2 e 3, continuar a escrever sobre o assunto é “malhar em ferro frio”.
O crime não será esclarecido jamais. A sociedade não tem força suficiente para exigir providencias. Os novos investigadores estão reféns de posicionamentos e compromissos assumidos no passado e nós já nos cansamos de “bater na mesma tecla”: não haverá solução enquanto não forem identificados aqueles que sabotaram o local de crime e as primeiras investigações.
Assim sendo, os que estiverem interessados em continuar a reclamar, sugiro que nas próximas manifestações utilizem praças da periferia pois as do Radio Clube e Ari Coelho já não tem mais glamour. Sugiro o uso de camisetas em cores pastel – as brancas e pretas já estão cafonas e muito “batidas”. E finalmente, quanto ao Hino Nacional, que tal alguma marchinha carnavalesca?
(*Paulo Magalhães é advogado em Campo Grande-MS, delegado de Polícia Civil aposentado e presidente da ONG Brasil Verdade www.brasilverdade.org.br )