Dourados (MS) – A 4ª. Subseção da OAB de Dourados está só aguardando a resposta do secretário municipal de Saúde, João Paulo Esteves, para definir que estratégia adotar em relação às denúncias de violação dos direitos humanos no setor, depois de um minucioso trabalho de investigação de sua comissão de Direitos Humanos. Até agora, segundo Arnaldo Rodrigues, vice-presidente da entidade e presidente da comissão que investigou o caso, embora tenha prometido responder item por item, o secretário só falou para a imprensa “e assim mesmo tentando desqualificar o trabalho sério que fizemos”, referindo-se à afirmação de Esteves de que o relatório é equivocado.
Para Arnaldo Rodrigues não há equívocos no trabalho realizado pela OAB, “pois tudo que foi pontuado pela comissão não foi corrigido pela prefeitura, ao contrário, eles afirmam que o problema está lá”. E cita o exemplo das ambulâncias do SAMU que o relatório afirma estarem paradas no pátio do Hospital de Traumas sem serem utilizadas e o secretário afirma que faltam equipamentos. “Ora, se faltam equipamentos que o secretário corra para equipá-las ou as tirem de lá, pois aquilo chega a ser uma afronta diante de tantas necessidades da população carente”.
Depois de percorrer postos de saúde e hospitais conveniados com o SUS, de entrevistar pacientes, médicos e funcionários, o relatório da OAB apontou o atendimento à saúde de Dourados como deficitário, com graves violações dos direitos humanos. Segundo a OAB os postos não têm médicos especialistas, contando apenas como generalistas e quando os encaminhamentos são feitos há muita demora no atendimento, em média de um ano a um ano e meio. Os casos mais graves atingem crianças e idosos. Da mesma forma o atendimento relativo a exames clínicos e laboratoriais nos postos de saúde também ferem os direitos humanos, segundo a entidade, demorando muito para serem realizados.
O relatório chega a apontar as especialidades em que faltam médicos, o que prefeitura admite, de público, e cita problemas também administrativos na gestão do Hospital de Urgência e Traumas, antigo hospital da mulher.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos disse que a OAB aguarda a resposta oficial da prefeitura para se posicionar, até porque o prefeito Laerte Tetila teria demonstrado interesse em promover uma audiência pública para tratar da questão. “Não queremos apenas denunciar, é de nosso interesse continuar acompanhando as providências e também contribuir com alguma sugestão que possa resolver o problema, disse Arnaldo Rodrigues, para quem o trabalho já surtiu efeito, na medida em que provocou reação da prefeitura.