OAB-MS pede que o Conselho Federal acompanhe e exija novas investigações sobre

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, está requerendo ao Conselho Federal da instituição que acompanhe e exija da Procuradoria Geral da República que investigue as revelações feitas pelo ex-agente do serviço de inteligência do Governo uruguaio Mário Neira Barreiro, segundo as quais, o presidente João Goulart (1918-1976), o Jango, foi morto por envenenamento, a pedido do Governo brasileiro.
“A denúncia é grave e merece meticulosa investigação por parte da PGR e, eventualmente, por parte de uma das Casas do Legislativo (Câmara ou Senado), por intermédio de uma CPI”, destacou o presidente da OAB-MS, lembrando que “se referem a circunstâncias relacionadas à história do País, que deve ser escrita com a tinta da certeza e jamais ficar escondida sob as sombras da dúvida”.
Jango morreu em 6 de dezembro de 1976, na Argentina, oficialmente de ataque cardíaco. Ele governou o Brasil de 1961 até ser deposto por um golpe militar em 31 de março de 1964, quando foi para o exílio. Segundo as informações, o uruguaio Mário Barreiro teria revelado recentemente que o ex-presidente fora assassinado. Conforme Mário Barreiro, o serviço de inteligência do Uruguai trocou remédios de Jango por uma substância envenenada. Jango estava, na época, encontrava-se em uma fazenda na Argentina.
Preso desde 2003 na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS), o ex-agente teria dado detalhes da Operação Escorpião, que teria sido acompanhada e financiada pela CIA (agência de inteligência americana) para matar Jango.
Mário Barreiro também disse que Sérgio Paranhos Fleury (morto em 1979), à época delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo, era a ligação entre a inteligência uruguaia e o Governo brasileiro. A ordem para que Jango fosse morto teria partido de Fleury e a autorização, do então presidente Ernesto Geisel (1908-1996).
Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, que hoje (29/01) encaminha o documento ao Conselho Federal da OAB Nacional, as mortes de Juscelino, Jango e Carlos Lacerda, os três principais líderes políticos que pregavam a redemocratização do País, além de Leonel Brizola, ocorreram mais ou menos na mesma época e em circunstâncias anormais. “A OAB-MS está enviando ofício ao Conselho Federal, solicitando a sua adesão ao movimento que se inicia no sentido de reescrever a história do Brasil, ainda que ela conte com alguns capítulos trágicos e macabros”.


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