Brasília (DF) – O senador Valter Pereira (PMDB-MS) prestou hoje (14) uma homenagem a advogados sul-mato-grossenses que destacaram se na resistência à ditadura militar. Em sessão especial do Senado pela passagem dos 180 anos de instalação dos cursos jurídicos no País, Valter Pereira lembrou a postura do então juiz-auditor Plínio Barbosa Martins, no caso do padre Jentel, missionário francês, que desenvolvia um trabalho em apoio às populações carentes na região do Alto Araguaia.
Em 1973, um conflito pela posse de área, resultou em troca de tiros com sete pessoas feridas. Foi aberto inquérito militar e o religioso foi processado pela Auditoria Militar de Campo Grande, no então Estado de Mato Grosso. O padre Jentel foi processado pela Lei de Segurança Nacional.
O senador contou que durante o julgamento toda sorte de pressão recaiu sobre Plínio Barbosa Martins que agiu com absoluta independência e disse nada encontrar que justificasse a condenação do missionário. O voto do jurista campograndense, segundo Pereira, instruiu a decisão do Supremo Tribunal Militar que declarou a incompetência da Justiça Militar para o julgamento, uma vez que não havia crime contra a segurança nacional.
O exemplo de coragem, bravura e independência, nortearam outros juristas, assinalou o senador, ao citar os nomes de Wilson Barbosa Martins, depois governador e senador do Estado; Nelson Trad, atual deputado federal; Armando Pereira Falcão; Harrison Figueiredo; o senador Ramez Tebet; Bezerra Neto, Ricardo Brandão. Edosn Britto Garcia, Paulo Simões Correa da Costa e Heitor Medeiros.
Ao final do pronunciamento, Valter Pereira fez a leitura do texto da campanha lançada pela OAB-SP, com o titulo “Cansei”. Participaram da sessão solene, entre outros o presidente do Supremo Tribunal Militar, ministro Flavio Bierrenbach e o ex- presidente da OAB nacional, Roberto Busato.