Atendendo representação criminal formulada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar indícios de ocorrência de crimes de estelionato, falsidade ideológica e contra economia popular, cometidos por diretores da Empresa Energética de Mato Grosso do Sul (Enersul) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no reajuste de tarifas.
Medidas administrativas da Enersul e Aneel teriam gerado uma cobrança indevida de R$ 181 milhões dos consumidores de energia elétrica de Mato Grosso do Sul desde 2003. Em abril deste ano, pedindo a apuração das evidências de crimes a OAB-MS, por intermédio de seu presidente, Fábio Trad, protocolou uma representação criminal na Polícia Federal, requerendo a abertura de inquérito.
O pedido foi entregue ao superintendente da PF no Estado, Luiz Adalberto Philippsen, que estava acompanhado do delegado-chefe da Corregedoria de Polícia Federal Donizetti Aparecido Tambani. Cópias dos documentos e da representação criminal foram entregues também ao procurador-chefe da Procuradoria da República no Estado, Blal Yassine Dalloul, para que o Ministério Público Federal acompanhe as investigações da Federal.
As diligências já estão em andamento, com a tomada de depoimentos e solicitação de documentos. O inquérito está sendo conduzido pelo delegado Pio Vergara Alonso, que solicitou a presença do deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB), relator da CPI da Assembléia Legislativa sobre o superfaturamento das contas de energia. Ele vai prestar depoimento como testemunha, na manhã desta quarta-feira.
O deputado afirma que o depoimento que prestará à Polícia federal refletirá tudo aquilo que foi reproduzido durante os cinco meses da CPI da Enersul, quando ele chegou à conclusão de que existiam irregularidades que caracterizariam delitos previstos no Código Penal.