ENTREVISTA: Fábio Trad diz que presidir a OAB “é uma honra” e fala sobre sua

Campo Grande (MS) – Desde que assumiu há dois anos a presidência da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad tem dedicado a maior parte de seu tempo diário às atividades da OAB, o que faz com declarada e entusiasmada paixão pela advocacia. “A missão é sublime, a causa é justa, a profissão é bela, a instituição é forte e o desafio é instigante”, define, sobre o papel de presidir a Ordem. 

Neste início de seu terceiro e conclusivo ano de mandato, o presidente da OAB-MS assegura que exercer a presidência da Ordem “é missão que muito me honra”, declara que pretende seguir avante (palavra de ordem, literalmente, que usa ao fechar seus pronunciamentos) na defesa das prerrogativas dos advogados e demais interesses corporativos da categoria e, no campo institucional, na defesa dos direitos de toda a sociedade civil. E, havendo dez meses das eleições que definirão seu sucessor, Fábio Trad fala também sobre o processo de transição que será um dos principais assuntos em pauta na Ordem em 2009. Veja a entrevista concedida pelo presidente Fábio Trad ao jornalista Marco Eusébio, da assessoria da OAB-MS: 


Imprensa OAB-MS – Começa 2009, seu terceiro e último ano como presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul. Depois de dois terços de mandato cumpridos em uma missão que exige abrir mão de seus afazeres profissionais e pessoais para atuar em prol de sua categoria, o sr. considera que vale a pena estar dirigindo a principal instituição de sua classe profissional?

Fábio Trad – Presidir a OAB-MS é missão que muito me honra pois me concede o privilégio de realizar as principais tarefas para o aperfeiçoamento da advocacia do estado. É uma fonte diária de aprendizado o exercício da presidência. Esta cadeira me dá a oportunidade de conhecer os extremos da psicologia humana, além de me dar as condições para realizar um ideal: fortalecer a advocacia como agente de promoção da cidadania e da justiça, mantendo a instituição como uma das protagonistas da agenda político-institucional do estado e do país. 

P – Fazendo um balanço entre os prós e os contras dessa missão, como se sente, em termos de realização pessoal, exercendo a presidência da OAB?

Fábio Trad – Em termos de realização pessoal, estou absolutamente satisfeito. Meu entusiasmo renova-se a cada dia. Estou plenamente feliz e motivado. A missão é sublime, a causa é justa, a profissão é bela, a instituição é forte e o desafio é instigante. Enfim, tenho todas as razões para aumentar o ritmo de trabalho e intensificar as ações da entidade. 

P – No fim deste ano teremos eleições para a diretoria que vai suceder a atual gestão da OAB-MS. O senhor, afinal, será ou não candidato à reeleição? Por quê?

Fábio Trad – Não sou candidato à reeleição. O cargo não é da pessoa, mas da classe. Com exceção de um caso na história da entidade, a tradição impõe a renovação dos quadros. Serei obediente à tradição. Penso que outros colegas devem ter a chance que Deus me concedeu. Além disso, a mudança de métodos, visão e forma de gerência é saudável. Ganha a OAB. Ganha o advogado.

P – E o sr. já tem um candidato ou candidata à sua sucessão? 

Fábio Trad – Como presidente, devo agir como magistrado nesta questão, uma vez que mais de um colega pretende disputar a presidência da entidade. Claro que tenho a minha preferência, porém, antes da consagração do nome, estou ouvindo todos os segmentos da advocacia, sem exceção. O nome do futuro candidato não será desejo de um, mas a manifestação de uma expressiva coletividade. 

P – Depois de dois anos presidindo a OAB o sr. alcançou a aprovação quase que unânime da advocacia de Mato Grosso do Sul, conforme pesquisa feita pelo Instituto Tendência divulgada no fim do ano que se encerrou, apontando um inédito índice de 82% dos advogados que consideram ótima ou boa sua gestão e que, somando à metade dos que consideraram regular positiva, atinge 87,5 pontos percentuais de aprovação. O sr. acredita ser possível transferir essa impressionante densidade de confiança que lhe é credita pelos colegas advogados ao candidato que vier a apoiar à sua sucessão?


Fábio Trad – A soberania do voto é do eleitor. Cabe a ele decidir quem é o melhor para a sua classe. Na hora de votar, serei apenas um eleitor. O meu apoio revelará o meu pensamento a respeito do candidato: confio na pessoa, conhece a OAB, tem as qualidades indispensáveis para ser um bom presidente e é o mais indicado para reforçar com coerência a linha de intensificação das ações corporativas e institucionais da entidade. 

P – Como presidente da Ordem dos Advogados do Brasil o sr. priorizou dois objetivos: no campo corporativo, fazer valer, na prática, as prerrogativas dos profissionais e, assim, garantir o pleno exercício da profissão fortalecendo o advogado; e no campo institucional, colocar, de fato, a OAB como entidade representativa da sociedade civil organizada com voz ativa nos principais assuntos de interesse da coletividade estadual. O sr. considera ter alcançado esses objetivos ou entende ser uma missão perene que deva ser seguida por seus sucessores?

Fábio Trad – A luta pela inviolabilidade da prerrogativa não é matéria pronta e acabada, mas um processo submetido às vicissitudes históricas. O papel da OAB é, fundamentalmente, priorizar na sua agenda corporativa a luta permanente pelo respeito aos direitos legais dos advogados. É o que estamos fazendo com a adoção de uma série de medidas envolvendo mais de 500 (quinhentos) colegas nas comissões temáticas. No plano institucional, a OAB-MS atua dentro dos limites legais, por isso expõe, denuncia, cobra, fiscaliza, supervisiona e orienta. 

P – Presidindo a OAB há dois anos, o sr. extrapolou o campo da teoria e passou a conhecer na prática os principais anseios da advocacia e também da sociedade sul-mato-grossense. Como advogado, no papel de eleitor na Ordem, quais as qualidades que gostaria de ver no candidato para sucedê-lo na presidência da instituição?

Fábio Trad – Coragem. Firmeza. Abnegação. Paciência. Compromisso com a advocacia. É fundamental que tenha uma história de participação na entidade que traduza identidade com a OAB. 

P – Tradicionalmente a Escola Superior de Advocacia era dirigida pelo vice-presidente da OAB como critério político em Mato Grosso do Sul. O sr. mudou isso levando para a direção da ESA um técnico, o advogado e professor universitário Sérgio Muritiba, que conseguiu trazer para o estado o primeiro curso de pós-graduação da sisuda e tradicional Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo que nunca antes havia feito cursos fora de sua sede na capital paulista. Além disso, a ESA tem promovido uma série de outros eventos jurídicos de qualidade nacional no estado de excelência inconteste. O sr. acredita que esse conceito será preservado em sua sucessão?

Fábio Trad – Acredito. Conquista deve ser preservada. A atuação do Sérgio tem sido exemplar. Este ano, a ESA disseminará por todo o interior do estado os cursos, as palestras, as teses e conferências através da internet. Além disso, o só fato de ter conseguido trazer a PUC-SP e a FADISP (Faculdade Autônoma de Direito de São Paulo) para, oficialmente, ministrarem cursos de excelência em nosso estado já atesta o valor deste moço. É um grande valor da advocacia. 

P – Como presidente, o sr. tem ocupado grande parte de seu tempo com assuntos da Ordem, abrindo mão, muitas vezes, de seus assuntos pessoais e familiares e até do próprio escritório. A dona Roberta reclama muito da dedicação do marido à OAB? Por trás de um grande presidente, o sr. acredita, com sua prática, ser imprescindível uma mulher à altura?
 
Fábio Trad – De fato, não há como conciliar o exercício da presidência com a permanência constante do pai e esposo dentro de casa. É impossível. Se tentar conciliar, ou será um presidente mais ou menos, ou será um pai e esposo mais ou menos. Por isso, creio que a Roberta e os meus filhos souberam compreender que a missão de presidir a OAB não significa a subtração na família, mas a soma de outra, de modo que, inevitavelmente, a convivência perde em horas, mas ganha em intensidade e sentimento. Roberta, minha esposa, está sendo também a minha melhor amiga, pois mesmo perdendo traumaticamente o pai e a mãe em menos de um ano, durante a minha gestão, nunca deixou de me estimular e sempre manteve os filhos conscientes e unidos para o indispensável apoio da estrutura familiar em um empreendimento tão imprevisível e acidentado como é o exercício de liderança classista. 

P – O sr. tem mais um ano de mandato pela frente. Por acaso já fez planos pessoais e profissionais para o que vai fazer além de advogar depois de passar a presidência da OAB-MS ao sucessor que presidirá a Seccional estadual a partir de 2010?

Fábio Trad – Por enquanto, estou concentrado na OAB-MS. Quero ser Presidente até o dia 31 de dezembro de 2009. Lutar pela minha classe e justificar cada voto que recebi. Avante!

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