“Para entender organizações criminosas nos presídios é preciso olhar para fora

Campo Grande (MS) – “Se quisermos entender o que se passa dentro do presídio devemos olhar para fora dele”. É o que afirmou o juiz de Direito, professor de Direito Penal, conselheiro da Associação Juízes para a Democracia, diretor do IBCcrim e mestre em Direito Penal, Sérgio Mazina Martins, ao palestrar na noite de sexta-feira (6) sobre o tema “As Organizações Criminosas no Sistema Prisional Brasileiro” durante a XI Conferência Estadual dos Advogados de Mato Grosso do Sul, evento promovido pela OAB-MS, que está sendo encerrado na manhã deste sábado (7) no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande. Segundo Sérgio Mazina Martins, juiz de direito em São Paulo (SP), a população carcerária, na sua grande maioria, faz parte de um grupo criminoso que atua dentro e fora dos presídios no Brasil.

Para Martins, uma das mais tradicionais organizações criminosas no país é a do jogo do bicho. “Essa organização foi aos poucos penetrando na vida pública da sociedade brasileira e ganhou grande expansão econômica. O jogo de bicho patrocinava campanhas políticas e até mesmo times de futebol e com isso ganhou a simpatia da população”, observa o conferencista. A partir da atividade do jogo, criou-se uma rede de criminalidade como assassinatos, lavagem de dinheiro, coação entre outros crimes.“Até pouco tempo o jogo do bicho empregava pais de família que não tinham escolaridade e que não conseguiam emprego de carteira assinada. Com isso, se tornou uma atividade confiável, de regras rígidas, severas e autoritária, porém bem definidas”.

No que diz respeito ao comércio clandestino de drogas, o juiz acredita que entre as camadas populares o tráfico criminaliza e nas camada mais altas vicia. “As drogas já viraram caso de saúde pública e o governo não faz campanhas para alertar a população dos males que as drogas podem causar”. Martins ainda ressalta que mulheres que foram abandonadas pelos seus maridos, tendo muitos filhos para criar, vêem no tráfico uma forma de sustentar a família. “No tráfico as pessoas ganham em média 40 reais por dia, enquanto que se fossem fazer uma faxina não ganhariam isso”, afirmou. Crianças também fazem parte desse grupo que ganha dinheiro vendendo drogas.

E para complicar mais, o crime organizado no Brasil têm muitos policiais envolvidos. “Para esses policiais o Estado não consegue controlar essas organizações. Por isso eles fazem o que acham que é certo, matam, corrompem, fazem a sua própria justiça e suas próprias organizações paralelas”.

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