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“Advogada dos humildes”, Dinalva Mourão sentia na pele dificuldades do outro e se empenhava para ajudar

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“Advogada dos humildes”: essa é marca de Dinalva Garcia Lemos de Morais Mourão, 63 anos, que construiu a carreira na advocacia sentindo as dificuldades do próximo e se empenhando para ajudá-lo.

Dinalva sempre se sensibilizou com as histórias de quem queria cumprir obrigações, mas por falta de condição financeira não conseguia. Segundo ela, o início na profissão foi com atendimentos voluntários e dativos na área de família. “Sempre gostei e gosto de lidar com pessoas. Na época da faculdade, fiz estágio na Defensoria Pública e foi a minha maior realização. Tive a oportunidade de aprender e conhecer mais das pessoas humildes, a simplicidade delas, sinceridade e confiança que depositavam em nós, operadores do Direito”, recorda. Atualmente, a atuação de Dinalva é maior na área previdenciária.

Sensibilizada, muitas vezes a advogada assumia a conta do cliente, como foi o caso de um cidadão que chegou a desmaiar na sala de audiência de tanta preocupação por não ter como pagar o que devia. “Muitas vezes paguei acordos, mas sem essas pessoas saberem. Sentia a necessidade de ajudar por conhecer a condição que viviam e por demonstrarem que queriam cumprir com seus deveres, mas não conseguiam. A minha atuação sempre foi dedicada às pessoas que enfrentavam dificuldades e precisavam do poder judiciário e presença de um advogado”, enfatiza.

A preocupação em ajudar quem necessitava, tornou-se referência. Conforme Dinalva, até hoje, todos que passam por algum problema ou querem esclarecer dúvidas sobre a Justiça recorrem a ela. Com 34 anos de carreira, acredita ter cumprido o papel social. “Se por alguma razão não posso atender, encaminho a pessoa até a Defensoria e sempre contribuo com informações. Esse esclarecimento que transmito, faz parte da minha advocacia que é sempre querer apaziguar a situação e fazer as partes se conciliarem”, celebra.

Amadurecimento 

Natural de Coxim, a decana teve a infância na área rural ao lado dos pais, avós, tios, primos, dos seis irmãos e uma irmã. Devido às dificuldades da época para o acesso ao ensino longe da área urbana da cidade, os pais de Dinalva aprenderam o básico, mas sempre sonharam com os filhos formados. Se esforçaram e conseguiram que os filhos tivessem as suas profissões. Um deles, inclusive, também é advogado e motivo de orgulho.

“O sonho dos nossos pais era ver os filhos formados, não importava a área. Mas, no fundo, meu pai dizia que gostaria de ter um filho advogado. Era motivo de muito orgulho o sacrifício deles para cumprir a meta de formar os filhos. Essa manifestação despertou em mim a vontade de ser profissional do Direito”, lembra Dinalva acrescentando que fora alfabetizada pela mãe, em casa.

Aos 19 anos, ela chegou a Campo Grande, era o ano de 1976. Na cidade, morou com avó e tios, que muito contribuíram para que nunca desistisse dos estudos. Cursou a graduação na FUCMAT, atual UCDB, em 1983, graças a descontos que recebia nas mensalidades. “Saía do trabalho e ia direto para a faculdade. Me alimentava com marmita. Era ovo frito e arroz não muito cozido, pois a comida era feita quando chegava da faculdade, por volta das 23h. O cansaço era tanto que não dava para esperar ficar cozido direito”, brinca.

Dinalva voltou à terra Natal em 1986, formada no Direito, mas como responsável no Posto de Atendimento Telefônico da Telems, onde no passado havia trabalhado por oito anos. No entanto, também já galgava o futuro na advocacia. Ela lembra das primeiras dificuldades que teve de enfrentar e que foram na condição de mulher. “Tinha minha casa, meus filhos para cuidar e conciliar à advocacia que sempre amei. Nunca desisti, cada barreira sempre me fazia ter mas forças para persistir”, celebra.

A decana é casada com um também advogado e teve dois filhos. Um seguiu o mesmo passo e seguiu a advocacia e o outro é formado em comunicação social, no campo da publicidade e propaganda.

Para Dinalva o segredo para se tornar um bom advogado é valorizar o próximo. “Devemos acreditar na diferença que podemos fazer na vida das pessoas, dos clientes e da comunidade, levando em primeiro lugar o respeito à causa do cliente. Por mais simples que possa parecer, é importante dar a devida valoração ao caso. Falar a verdade sempre, por mais dura que seja e sempre respeitar e ser ético com os colegas”, concluiu.

Compartilhando Conhecimentos

Dinalva Garcia Lemos de Morais Mourão, assim como Rosely Coelho Scandola, Ana Abdo, Alci Araújo, João Glauco Arrais, Aparecidos dos Passos, Belmira Vilhanueva, Osvaldo Feitosa de Lima e Vicente Sarubbi, foram entrevistados pela Equipe de Imprensa da OAB/MS, no Projeto ‘Compartilhando Conhecimentos’. O objetivo da Seccional é apresentar a todos um pouco da carreira e vida daqueles que escreveram a história da advocacia sul-mato-grossense.

Texto Laura Holsback