O coordenador-geral do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu ) de Campo Grande, médico José Eduardo Cury, esteve reunido com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, diante de quem questionou a avaliação policial de homicídio culposo na morte de Adriana Verão Sales, de 34 anos, atropelada no último domingo pelo guarda civil metropolitano de São Paulo Evandro Félix de Oliveira. O acidente aconteceu na Rua Manoel Joaquim de Moraes, Jardim Leblon. A filha da vítima, Michele Verão Souza, sofreu fratura na perna. Elas estavam em uma moto Biz e foram colhidas por um Prisma. O motorista atropelador, que estaria embrigado, acabou sendo liberado pela polícia após o pagamento de uma fiança de R$ 1 mil.
José Cury, que participou do atendimento no local, declarou que ficou surpreso e até mesmo indignado com a liberação imediata do motorista, mediante o enquandramento do caso como homicício culposo (não-intencional). O médico afirmou que a dinâmica do acidente e as suas consequências indicam que, na verdade, se o motorista não teve a intenção de matar, como avaliou a polícia, pelo menos assumiu o risco de produzir um resultado, no caso, a morte de uma pessoa e graves ferimentos em outra.
O coordenador do Samu destacou que a disposição das vítimas no chão, as lesões por elas sofridas e mesmo os estragos no automóvel e na motocicleta indicam que o guarda metropolitano estava em velocidade incompatível com o local – ele estima superior a 80 quilômetros/hora.
Revelou, ainda, que no local conversou com um outro motorista que teria sido abalroado em seu veículo, um pouco antes, pelo carro de Evandro Oliveira. A isso, soma-se o fato de Evandro Oliveira encontrar-se embrigado. José Cury também informou que chegou a ser tratado com palavras duras, em tom ameaçador, pelo atropelador quando tentava examiná-lo, dele ouvindo frases como “saí prá lá que é melhor prá você”.
Diante das declarações do médico, que foi ouvido pelo presidente da OAB-MS, Fábio Trad, e pelo coordenador do Movimento MS Contra a Violência, Gustavo Giacchini, a diretoria da Seccional estará oficiando ao secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, solicitando que se recomende ao delegado encarregado do inquérito a tomada do depoimento do médico José Cury. Também será sugerido que a polícia avalie melhor as circunstâncias e dinâmica do acidente, com vista ao enquadramento do caso como de homicídio doloso, uma vez que o guarda metropolitano teria assumido o risco de produzir o resultado morte. Fábio Trad informou, ainda, que a OAB-MS passará a acompanhar o andamento do inquérito.