A Maçonaria de Mato Grosso do Sul desencadeou o Movimento Contra a Corrupção com a finalidade de despertar a sociedade no sentido de alertar a todos sobre o grave problema relacionado à corrupção política, publica, privada, enfim, todos os tipos de corrupções que hoje se constitui num vírus que na realidade está minando a resistência cívica dos brasileiros.
A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul), sintonizada com os anseios populares, resolveu aderir ao Movimento. O intento está sendo concretizado com a distribuição de milhares de manifestos cívicos aos sul-mato-grossenses alertando-os para o grave problema da corrupção e procurando e certa forma contribuir com a Maçonaria para o aprimoramento dos costumes políticos da sociedade.
O presidente da OAB-MS, Fábio Ricardo Trad, foi ouvido para expor o que pensa sobre corrupção, corruptor, “jeitinho brasileiro”, conivência do eleitor, mau exemplo do Senado, manifestação popular…
O que vem a ser corrupção?
Dr. Fábio – A corrupção, em gênero, são todas as transgressões as normas jurídicas e morais que estabelece como primeiro mandamento o respeito aos negócios públicos, o respeito e a honestidade as relações privadas. Todo ato que transborda desses limites pode ser denominado corrupção. É em nome da necessidade de fazermos com que a sociedade tenha referências éticas sólidas no seio que a OAB-MS se pautou para, junto com a Maçonaria, desencadear e fomentar esse Movimento.
O Brasil não é um país atípico, uma vez que aqui temos a figura do corrupto enquanto o corruptor permanece no mais completo anonimato?
Dr. Fábio – De fato, quando há corrupção é preciso atentar-se para os pólos que se estabelecem nessa relação. Se existe a figura daquele que aceitou a corrupção, evidentemente que pressupõe a existência de quem fez a proposta. No Código Penal, para estas duas espécies de corrupção, as denominações criminais são ativa e passiva. Lamentavelmente, no noticiário político nos apenas alcançamos o corruptor passivo, enquanto o corruptor ativo fica sombreado na clandestinidade. O que não é bom, o que não é justo, o que é absolutamente ilícito. Por isso a OAB-MS alerta a sociedade despertando-a para a necessidade de fiscalizar, de forma rigorosa, a conduta dos homens públicos. E também dos empresários, que precisam no desenvolvimento do seu labor, dar o exemplo de que o Brasil é um país que necessita encaixar-se nos limites da moralidade.
A corrupção pode ser interpretada aqui como “o famoso jeitinho brasileiro?”
Dr. Fábio – O “jeitinho brasileiro” é uma corruptela do termo corrupção. Na realidade um termo sociológico que tipifica a transgressão, o drible do brasileiro as regras normativas, e isto, por ser cultural, precisa ser combatido de forma jurídica e cultural também, com a imposição de rígidas normas sociais, de conduta, morais, para que as próximas gerações não sejam cópias mal-feitas daqueles maus exemplos de outrora, de hoje também. Por isso, esses movimentos que recebem o engajamento da OAB-MS, são importantes e podem não ter eficácia de imediato, mas eles se revestem de uma absoluta importância a partir do momento em que se tornam exemplos para aqueles que estão nos sucedendo.
No caso da Comissão de Ética do Senado que não permite que o presidente, José Sarney, venha ser investigado e em se comprovando a veracidade das denúncias, também é uma forma de corrupção?
Dr. Fábio – O Senado da República hoje, infelizmente, não é exemplo de respeito à ética e moralidade. Basta acompanhar os recentes acontecimentos de comprovadas multiplicação de denúncias de corrupção que não foram sequer investigadas. É preciso entender que esta corrupção, que nós entendemos flagrante, ela, se por um lado tem o corruptor passivo, tem também o corruptor ativo. Quem foi que elegeu esses senadores? Esses senadores não foram colocados lá por acaso. Eles foram votados por eleitores. Então, é preciso que a sociedade se conscientize de que se hoje a política é na realidade exemplo vivo de atos de corrupção, é porque muitos eleitores permitiram que isto acontecesse, votando sem consciência, votando de forma ignorante, votando por conta de troca de favores, o que não é saudável para a democracia.
Partindo do princípio que o Poder Emana do Povo, conforme consta na Constituição Federal cabe interdição do Senado por conta de uma mobilização nacional?
Dr. Fábio – Interdição eu não diria, mas, seria muito interessante se houvesse uma manifestação coletiva de maior impacto por parte da população. Infelizmente o que nós estamos assistindo são atos isolados e-mails, telegramas, cartas desaforados, mas que não surtem o efeito desejado. A perda do sentido da moção do coletivo estimulou a Ordem dos Advogados de Mato Grosso do Sul, junto com a Maçonaria, sair às ruas a fim de conscientizar a sociedade que somente através das manifestações coletivas de indignação em relação aos desmandos públicos e privados é que a luta contra a corrupção será vitoriosa. Sem a manifestação da sociedade a corrupção vai continuar grassando, campeando solta, para a tristeza dos poucos bons que ainda restam na política e na própria sociedade.