Lideranças religiosas pedem posicionamento da OAB-MS contra projeto de liberação

Lideranças religiosas reuniram-se hoje (30/05) à tarde com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, a quem entregaram documento requerendo um posicionamento da instituição contra a legalização do aborto no País, conforme projeto em tramitação na Câmara dos Deputados. O encontro aconteceu no auditório da OAB-MS, em Campo Grande, e o requerimento está assinado pelo presidente da Aliança Evangélica Brasileira em Mato Grosso do Sul (AEVB-MS), apóstolo Edílson Vicente da Silva; arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Campo Grande, dom Vitório Pavanello; presidente do Grupo Evangélico de Ação Política (Geap), pastor Carlos Osmar Trapp; e pelo presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (Fenasp), bispo Sérgio Harfouche.
Outras lideranças religiosas, tanto evangélicas quanto católicas, participaram da reunião. Elas foram recebidas, além de Fábio Trad, pela presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Seccional, Delasnieve Miranda Daspet de Souza, e pelo coordenador do Movimento MS Contra a Violência, advogado José Augusto Lopes Sobrinho.
Antes da entrega do documento, os representantes das entidades manifestaram-se contra a tramitação do projeto e defenderam a necessidade da Ordem dos Advogados do Brasil, que historicamente tem marcado a sua posição diante de questões consideradas relevantes para a sociedade, também declarar-se publicamente sobre o tema.
“Não queremos dar um cunho político ao assunto, mas o Governo Federal, que tem programas visando o crescimento (PAC), não deveria tratar o nascituro desta forma. Por isso, como cristãos e cidadãos, temos o sagrado dever de lutar contra um crime que classificamos de hediondo, pois se trata de um ser indefeso, como é o feto”, diz Carlos Trapp, citando trecho do documento. Segundo ele, os legisladores e a sociedade não podem se deixar levar pelos argumentos enganosos dos defensores do aborto.
Já o arcebispo metropolitano, dom Vitório Pavanello, referindo-se a alegações de mulheres defensoras da liberação do aborto, de que a mulher, como dona do próprio corpo é quem tem o direito de decidir, afirmou que “uma vez concebida a criança, a gestante passa a ser quem custodia uma vida, não a dona dessa vida”.
O presidente da AEVB-MS, apóstolo Edílson Vicente da Silva, por sua vez, evidenciou a sua preocupação com a gravidade do assunto, lembrando que além da questão do aborto implicar no fim deliberado de uma vida, existem outros fatores que não podem ser esquecidos, como as conseqüências da descriminalização. “Essa liberação vai aumentar em muito a promiscuidade entre os jovens”. Ele alertou que o Governo Federal já vem fazendo uma distribuição indiscriminada de preservativos e pílulas do dia seguinte, métodos que contribuem, em muito, para essa degradação.
Depois de ouvir atentamente as lideranças religiosas, que demonstraram unidade em torno de uma causa comum, Fábio Trad informou que o documento será encaminhado para um relator do Conselho Seccional, a quem caberá elaborar relatório e voto para apreciação pelo colegiado.
O presidente da OAB-MS esclareceu, ainda, que a entidade toma a sua decisão de forma colegiada e por isso o requerimento dos religiosos deverá ser encaminhado ao Conselho Seccional já em sua próxima reunião, no final de junho. Em sendo aprovado o documento, a Seccional dará prosseguimento ao pedido, manifestando ao Conselho Federal, em Brasília, o posicionamento de Mato Grosso do Sul quanto ao tema em discussão.

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