As medidas anunciadas pelo governo federal de compra, desapropriação de terras e destinação de áreas confiscadas como alternativas para solucionar conflitos entre índios e fazendeiros em Mato Grosso do Sul são analisadas como positivas pelas comunidades indígenas no Estado. É o que aponta a presidente da Comissão Permanente de Assuntos Indígenas (COPAI), da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS).
“É uma grande vitória para todos nós. O que esperamos é que o cronograma de ações emergenciais seja cumprido e não fique apenas na promessa. O Brasil vive um momento de turbulência. Nos manifestos, a população clama contra corrupção e contra morosidade. E é a morosidade que tem manchado nosso Estado, com a demora de mais de 20, 30, 40 anos na demarcação de terras para os índios. É uma situação que tem trazido insegurança jurídica para índios e produtores. Todos querem um fim para isso”, diz presidente da COPAI, Samia Roges Jordy Barbieri.
A COPAI esteve presente, na última quinta-feira (21), na reunião com o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, com o secretário nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, o presidente da OAB/MS, Júlio Cesar Souza Rodrigues, e demais autoridades do governo do Estado, do Tribunal de Justiça, além de representantes dos ministérios públicos Federal e Estadual e da Controladoria-Geral da União sobre os conflitos agrários em todo o Mato Grosso do Sul.
A presidente da COPAI ressalta que, além das medidas para solucionar os conflitos, o governo precisa apurar quanto aos episódios de morte e acidente com lideranças indígenas, ocorridos durante a tentativa de reintegração de posse na Fazenda Buriti, no dia 30 de maio. “A justiça precisa ser feita. Não podemos nos esquecer da morte de um indígena. Isso precisa ser apurado”, complementa.