Policiais rodoviários federais denunciam péssimas condições de cárcere na Polícia

Campo Grande (MS) – Documento manuscrito e assinado por onze policiais rodoviários federais denunciando uma série de irregularidades e péssimas condições de carceragem na Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, foi entregue à diretoria da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS). Os patrulheiros estão sob custódia da SR-DPF desde que foram presos na chamada operação “Diamante Negro” sob acusação de suposto envolvimento com a máfia do carvão. Em ofícios com cópias anexas da denúncia enviados ontem (24) ao juiz federal Odilon de Oliveira e ao superintendente regional da Polícia Federal, Luiz Adalberto Philippsen, o presidente da OAB-MS, Fábio Trad, pede providências no sentido de que sejam sanados os problemas.

Veja a íntegra da denúncia feita pelos policiais rodoviários federais:


11/06/2008 – Dificuldades encontradas na custódia do DPF

1 – Local totalmente insalubre, superúmido.

2 – Sem ventilação nenhuma, aumenta a possibilidade de transmissão de doenças. Vários já gripados. Podem ocorrer doenças graves com permanência excessiva. Entrada e saída de presos que podem ter várias doenças incubadas.

3 – Imobilizados 24 horas na cela, sem movimentação. Não há acesso a local arejado ou aberto sem, sequer, visualizar o ambiente externo (sol).

4 – Não permitem entrada de livros jurídicos e jornais.

5 – Só podem entrar objetos para detidos às segundas-feiras das 9 horas às 10 horas.

6 – Contato com advogados é feito somente por interfone, com uma janela de grade e vidro, ambos de pé, em condições muito ruins para uma assistência séria para quem não está condenado e nem em regime diferenciado, muito pelo contrário, para quem está fragilizado, assustado, desesperado, com falta da família e muitas coisas mais.

7 – Não existe contato com família. Não podemos telefonar para ninguém.

8 – Falta de contato com a família gerou até problemas para pagamento de honorários de advogados.

9 – Prometido atendimento médico e não foi atendido.

10 – Uniformes não são trocados desde 21/05/1008.

11 – Quatro detentos por cela 2,5mX5m – colchonetes muito precários (velhos) não vedam a friagem.

12 – Banheiro (latrina) em péssimas condições de higiene.

13 – Tratamento único para toda a carceragem, sem distinção. Praticamente todos os PRFs possuem curso superior, com predominância em Direito.

14 – Todo papel repassado para advogado é lido e copiado pelos agentes, mesmo cartas para familiares.

15 – PRFs foram reconhecidos por presos, flagrados pelo … em Chapadão do Sul (MS).

Assinam:

Wanderlilton da Silva Araújo
Sidenilto Corrêa de Paula
Carmelito Pereira do Nascimento
José C. De Paiva
Ives Querino Diniz
Adelino Brandão dos Santos
Marco Antônio Rodrigues de Miranda
Nilson Moreira Barros
Diogênes Soares de Oliveira
Ênio Vaz
Ednilson Teotônio Farias

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